09/10/2012

Ética e Política


Para os filósofos gregos, ética e política se complementam, pois para governar bem é preciso ser ético.
 O bom governante deveria cuidar bem da pólis (cidade-estado).

Mas essa visão grega da relação necessária entre ética e política será modificada no início da modernidade com Nicolau Maquiavel (1469-1527). Nascido em Florença, Itália, Maquiavel foi um dos grandes responsáveis pela noção moderna de poder. Em Maquiavel também encontramos uma renovação do sentido e da relação entre ética e política. Desta forma, muito folclore se construiu em torno de seu nome e de sua pessoa, principalmente pela interpretação precipitada que se fez muitas vezes de seu pensamento. Conforme o texto de RUSSEL: "é costume sentir-se a gente chocada por ele, e não há dúvida de que, às vezes, ele é realmente chocante. Mas muitos outros homens também o seriam, se fossem igualmente livres de hipocrisia" (RUSSEL, 1967, p. 20). Maquiavel foi compreendido como alguém imoral e desprovido de quaisquer valores. Por isso o termo "maquiavélico" é pejorativo. 
Mas, seria Maquiavel digno dessa fama? O que ele pretendia?

Maquiavel choca por fazer uma análise do homem considerando-o a partir de uma de suas facetas, a do egoísmo. Se para Aristóteles e para o pensamento greco-cristão no geral o homem buscava a vida em sociedade, o bem viver como algo natural, para Maquiavel "os homens tendem /.../ à divisão e à desunião." (PINZANI, 2004, p. 19)

Maquiavel era um homem de seu tempo, do Renascimento. Homem de idéias políticas, ele procurou entender a natureza e os limites do poder político. Maquiavel contemplou uma realidade; a realidade da sua Itália, dividida, fragmentada em diversos principados e ducados. Numa constante briga pelo poder e, inevitavelmente alternâncias constantes dos governantes, a Florença de Maquiavel refletia o que ocorria também com as demais cidades italianas importantes do período. Para ele não se apresentava logicamente o idela cristão, mas sim algo que lhe seria entendido como próprio do homem, a luta pelo poder. 
Por isso, os homens mentiam, matavam e julgavam-se acima da moral.

Contudo, Maquiavel considera a necessidade de governantes bons e virtuosos. Para ele a diferença está em que a bondade e a virtude não pertencem à natureza humana do governante, mas sim resultam da sua compreensão e atuação sobre o real. Sem preocupar-se em desenvolver teorias, como fizeram outros pensadores, Maquiavel avalia a realidade e "interpreta os seus escritos como compêndios de conselhos práticos e de instruções para a ação." (PINZANI, 2004, p. 16) 
Por isso, "influenciar a realidade, e não desenvolver teorias é o seu propósito." (PINZANI, 2004, p. 16)

(Russel e Pinzani)

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